Camila Motta
Eu e Camila Motta em ensaio de Bacantes,
eu interpretava Zeus e ela Semele
Camila, te amamos e ressoamos. ðŸŽðŸ”¥
Há quem entre em cena.
E há quem abra um portal de vida dentro da cena.
Camila Mota é dessas.
Filha da tempestade criativa do Teatro Oficina Uzyna Uzona, essa usina antropofágica incendiada pelo gênio indomável de José Celso Martinez Corrêa.
No Oficina não se faz teatro:
se invoca vida.
E Camila é dessas que invocam.
Atriz, sim.
Mas também corifeia, condutora de energia, liderança amorosa da tribo.
Há mais de duas décadas atravessando rituais e revoluções — da saga Cacilda à s mutações cósmicas da cena viva — Camila não apenas interpreta.
Ela abre espaço para o outro florescer.
Olha o colega em cena e sopra, sem precisar dizer:
Vai. Mergulha. É gostoso.
E o teatro respira.
Ela escuta o pulso do coletivo.
Afina o coro.
Aquece a roda.
Ió! Iá!
Evoé!
Porque o teatro do Oficina não é palco:
é terreiro dionisÃaco.
Ali Camila já foi filósofa do amor como Diotima, já foi ventre cósmico como Semele, mãe do adorado DionÃsio.
Mas mais que personagem, ela é força viva da cena.
Quando entra, não vemos apenas interpretação.
Vemos dança.
Voz.
Riso.
Transe.
Vemos alguém que cuida do conjunto como quem cuida de uma constelação.
Porque o teatro — como queria Zé Celso — não é ego.
É corpo coletivo em estado de poesia.
E Camila sabe disso com o corpo inteiro.
Ela vibra quando o outro brilha.
Ela sustenta a roda.
Ela mantém o fogo aceso.
Por isso o palco gira quando ela chega.
Roda viva.
Roda dionisÃaca.
Roda de criação.
E nesse giro ecoa ainda o canto antigo de EurÃpides nas As Bacantes:
“Feliz aquele que conhece os mistérios dos deuses
e vive a vida em comunhão com o sagrado.”
Assim caminha Camila Mota.
Entre o rito e o riso.
Entre o amor e a cena.
Entre DionÃsio e o povo.
Uma atriz que não apenas interpreta.
Acende o teatro.
Este grito amoroso nasce de um pedido do amigo Lefer Guimarães — e de todos nós que celebramos essa presença viva que faz o teatro brasileiro pulsar.
Porque quando Camila entra em cena,
não é apenas espetáculo.
É vida em estado de festa.
Camila — te amamos e ressoamos.
Evoé! ðŸŽðŸ”¥
Camila, te amamos e ressoamos. ðŸŽðŸ”¥
Há pessoas que entram em cena.
E há pessoas que abrem um campo de vida dentro da cena.
Assim é Camila Mota, filha da tempestade criativa do Teatro Oficina Uzyna Uzona, essa usina antropófaga fundada pelo incendiário José Celso Martinez Corrêa.
Camila não é apenas atriz.
Ela é dessas presenças que fazem o teatro respirar.
Há mais de duas décadas dentro da tribo do Oficina, atravessa personagens, rituais e revoluções cênicas — das montagens da saga Cacilda até a explosão cósmica de Mutação de Apoteose, espetáculo que dirigiu reunindo dezenas de artistas em cena para celebrar a história viva da companhia.
Mas quem conhece Camila sabe: sua força não está apenas na potência da interpretação.
Ela exerce algo raro no teatro.
Uma liderança amorosa.
No Oficina — esse teatro que é mais aldeia, terreiro, universidade e carnaval — Camila é dessas pessoas que olham o colega em cena e dizem, sem dizer:
“Vai… mergulha. É gostoso.”
Ela escuta o ritmo do outro.
Afina a respiração coletiva.
E faz aquilo que os grandes atuadores sabem fazer:
levanta a vibração da tribo inteira.
Ió! Iá!
Evoé!
No palco, sua presença é de sacerdotisa bacante, corifeia — talvez não por acaso já tenha encarnado figuras filosóficas e mÃticas como Diotima, a mulher que ensina Sócrates sobre o amor, e Semele, que pariu o adorado DionÃsio.
Camila revela continuamente que o teatro, no Oficina, não é apenas espetáculo.
É energia.
É ditirambo em adoração.
É arte antropofágica.
Arte como celebração da vida-morte-presença.
Arte como tecnologia de existência, como ela mesma já disse ao falar das montagens da companhia.
E quando ela entra em cena, o que se vê não é apenas interpretação.
É uma atriz que dança, canta, irradia e ressoa com o próprio espÃrito do teatro.
Uma atriz que namora e cuida do conjunto — mãe Semele, mãe Cacilda.
Que vibra quando o outro brilha.
Que sabe que o teatro — como queria Zé Celso — é um corpo coletivo em estado de poesia.
Camila Mota é dessas figuras raras que fazem o palco virar roda viva de criação.
E nesse giro dionisÃaco parece ecoar ainda a voz antiga das tragédias gregas.
Como nas Bacantes, de EurÃpides, quando o coro anuncia o poder da força vital que atravessa o teatro e o mundo:
“Ó Bem-aventurado, ó feliz quem, por sorte do destino,
se inicia nos Mistérios Divinos…”
Assim caminha Camila Mota.
Entre o rito e o riso.
Entre o amor e a cena.
Uma atriz que não apenas interpreta —
mas acende o teatro ao redor.
Este texto nasce de um pedido amoroso do meu amigo Lefer Guimarães, para expressarmos — por ele e por todos nós — nossa gratidão e alegria pela presença de Camila.
Há pessoas e obras — como Camila Mota, o universo do Teatro Oficina Uzyna Uzona e a chama criativa de José Celso Martinez Corrêa — que naturalmente convidam a escrever com paixão, celebração e intensidade.
Elas carregam uma energia teatral ritual, cósmica, telúrica, ardorosa.
E é bonito quando um texto nasce dessa vibração e acaricia todos os amados e amadas adoradores de Baco e do teatro brasileiro.
Camila, te amamos e ressoamos. ðŸŽðŸ”¥
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